O barulho da chuva em seu teto de zinco fez com que ele perdesse o sono... Foi até a cozinha, pegou seu copo e serviu uma dose do seu whisky preferido...
Sabia que este seria o seu companheiro até o sono aparecer...
Dirigiu-se ao velho aparelho de som, aqueles que ainda utilizam o “toca-discos”... Pegou um antigo LP da sua coleção, empoeirado e escondido. Botou a tocar. Ao som de “STAIRWAY TO HEAVEN”, do Led Zeppelin, se pôs diante da sua velha máquina de escrever e foi despejando as suas divagações...
Desta vez ele não iria escrever sobre questionamentos da vida ou tentar encontrar respostas para suas inúmeras perguntas.
Simplesmente sentou-se e deixou que as palavras saíssem da sua mente e invadissem o papel:
“Vida” – já pensei várias vezes na vida que estou levando. Hoje não vou reclamar de você, muito pelo contrário. Quero agradecer. Sim, agradecer. A vida que estou levando é simplesmente o máximo, independente das dificuldades que você me impõe diariamente, me sinto feliz. Você tenta tornar meu dia a dia, que por si só já é agitado, em algo ainda mais complicado, cheio de obstáculos. Com força, coragem e discernimento, tenho passado por cada um destes obstáculos, tendo a certeza, é claro, de que muitos outros você ainda irá colocar no meu caminho. Mas me sinto preparado. E se não estiver totalmente preparado, ei de encontrar alguma maneira de não me deixar abater e sim crescer com os desafios que você me lançar...
“Família” – incrível como você tem o dom de me desestruturar. Sim, você tem o dom. Quando penso que está tudo bem contigo, algo inusitado acontece e o caos se instala. Posso te dizer que já fui bem mais apegado e preocupado contigo. Mas isso mudou. E vem mudando a cada dia. Venho aprendendo com os membros da tua família que não dá para agradar a todos. Aliás, quem sou eu para agradar a todos, não é mesmo? Lamento por alguns acontecimentos que possam ter te desagradado, mas você queria o que? Que eu ouvisse as barbaridades que diziam contra mim e ficasse calado? Ah, dá um tempo! Ei, família, aquele gurizinho que você conheceu não é mais o mesmo. Cresceu. Mudou. Caminha com as suas próprias pernas e age de acordo com seus próprios pensamentos. Sim, já não sou mais influenciável como você queria e isso te deixa irritada, né? Triste te ver assim, tão dividida e com tantas formas diferentes e divergentes de agir, de ser, enfim... Mas, tudo bem... Você é igual em qualquer outro canto do planeta: cheia de problemas, de desencontros, enfim. Mas ainda acredito nos bons momentos que passamos juntos... Poucos, mas sinceros...
“Amigos” – sempre escrevo sobre vocês, né? Sim, vocês são recorrentes em meus textos, no meu dia a dia, na minha vida...
E como não ser? Vocês são e sempre serão parte importante na minha vida. Às vezes me sinto meio deslocado em relação a vocês, mas entendo que a vida segue seu rumo e que às vezes, na maioria das vezes, não conseguimos estar juntos, por mais que queiramos estar...
Uma pausa para repor o whisky no copo...
“Futuro” – ah, sei lá o que você tem reservado pra mim. Sério. Não vivo preocupado com isso. Você sabe que eu vivo no presente, não é mesmo? Talvez a única coisa que de fato me assuste é pensar que, quando eu der de cara com você eu me encontre só. Acho que este é meu único medo. Do contrário, o teu amigo, o Presente, este sim tem me ajudado e me dado vários presentes – trocadilho infame, eu sei.
“Solidão” – bem que você tenta me deixar pra baixo... Mas hoje não há chance. Tenho passado alguns momentos contigo, mas só de vez em quando, como hoje por exemplo. Mas nem adianta se aproximar muito de mim, porque hoje eu não estou sozinho, sabia?
Poutz, o som acabou.
Outro LP: "WIND OF CHANGE" – Scorpions
Sinceramente? Hoje eu vou dormir bem mais tranquilo do que das outras vezes que tive que te encarar. Ou melhor, me encarar...
De certo modo, estou feliz. Feliz com minha vida, com meu trabalho, com meus projetos e com meus sonhos...
Neste momento, não há nada que possa me atrapalhar... As negatividades de algumas pessoas do meu convívio são inferiores ao meu grau de felicidade.
Talvez por eu estar em boa companhia...
Talvez por sempre ter a minha velha máquina por perto...
Talvez por ter como companhia o meu bom e velho whisky...
Sigo deixando a vida rolar e seguir o seu rumo!
* crédito da imagem: http://pt.dreamstime.com/foto-de-stock-olho-no-espelho-image2477180
_______ENTRE LINHAS_______
domingo, 5 de fevereiro de 2012
sábado, 31 de dezembro de 2011
E aí, 2011 valeu a pena???
Hoje é o último dia do ano. E geralmente neste dia eu paro um pouco para refletir neste ciclo que está se fechando. Foram 365 dias vividos intensamente...
2011 termina e a pergunta que me faço é essa: E ai, 2011 valeu a pena?
Posso dizer que valeu muito a pena, em todos os sentidos.
No início do ano eu viajei para Belo Horizonte, fui conhecer as belezas da capital mineira e as riquezas das cidades históricas, como Ouro Preto, Mariana e Congonhas. Conheci muita gente nesta viagem, fiz amigos inesquecíveis e que estão comigo até hoje!
2011 também foi o ano da minha formatura: em setembro eu recebi o diploma de graduação em História, sem dúvida um dos momentos mais emocionantes da minha vida...
O bom filho a casa torna... 2011 foi o ano em que, a pedido da minha avó eu voltei a morar com minha família, depois de 2 anos fora... Foi um tempo de reflexão, amadurecimento, enfim... Voltar para casa não é nenhum regresso, do contrário, voltei muito diferente de quando eu sai. Com novos valores e com outros olhares sobre os personagens que fazem parte desta instituição chamada família. Aliás, quantas transformações aconteceram na minha família...
Este ano que termina me proporcionou uma experiência inesquecível: a de trabalhar como mediador na 8ª Bienal do Mercosul. Tem como esquecer a família Geo 4 até o chão? Impossível...
Foram quase três meses de convivência com uma galera do bem, artistas, histórias, enfim. Uma amizade construída e para sempre eternizada, como já escrevi em outro post...
Como numa partida de futebol, aos 45 minutos do segundo tempo eu encontro o sorriso mais lindo das minhas tardes... Uma pessoa incrível e que vem mudando meu modo de ser e agir, que vem me provando que amar é possível sim, é só deixar acontecer...
Enfim, 2011 foi um ano muito bom. Estou com saúde e as pessoas que me cercam também estão e isso é o que importa...
2011 foi assim: perdi pessoas que eu achava que não viveria sem, e ganhei pessoas que eu nunca imaginei que entrariam em minha vida.
Ri até chorar, e chorei como se não fosse mais rir.
Amei e desamei.
... ... ... Fui decepcionado, mas também decepcionei.
Sonhei alto, cai muito, machuquei e me levantei.
Senti saudade, morri de saudade, mas também deixei saudade.
Disse coisas que não deveriam ser ditas. Me calei quando mais deveria ter falado.
Chorei. Ah, como eu chorei! Mas também fiz pessoas chorarem.
Briguei, brinquei e me arrependi.
Guardei coisas bobas e deixei coisas importantes passar.
Algumas vezes fui feliz, outras vezes triste.
Me arrependi de coisas que disse, e disse coisas da qual não me arrependo.
Xinguei, gritei e perdoei.
Errei querendo acertar, e acertei quando achei que tinha errado.
Acreditei no “Para sempre”, “Eu te amo” e “Conte comigo”, e também fiz pessoas acreditarem.
Prometi coisas que não cumpri, e cumpri coisas que nem ao menos prometi.
Perdi e ganhei. Sorri e chorei.
Me ergui e desabei.
Cresci e amadureci.
E então volto a perguntar:
“E ai, 2011 valeu a pena?
VALEU...E MUITO!!!
E que tenhamos um 2012 muito melhor...
Meus agradecimentos a todos vocês que fizeram (e fazem) parte da minha vida, que leram as minhas postagens, que compartilharam de alguns dos meus sentimentos, que se identificaram com algumas coisas, que riram do que escrevi, enfim...Muito, muito obrigado, mesmo!
Forte abraço,
Peter.
2011 termina e a pergunta que me faço é essa: E ai, 2011 valeu a pena?
Posso dizer que valeu muito a pena, em todos os sentidos.
No início do ano eu viajei para Belo Horizonte, fui conhecer as belezas da capital mineira e as riquezas das cidades históricas, como Ouro Preto, Mariana e Congonhas. Conheci muita gente nesta viagem, fiz amigos inesquecíveis e que estão comigo até hoje!
2011 também foi o ano da minha formatura: em setembro eu recebi o diploma de graduação em História, sem dúvida um dos momentos mais emocionantes da minha vida...
O bom filho a casa torna... 2011 foi o ano em que, a pedido da minha avó eu voltei a morar com minha família, depois de 2 anos fora... Foi um tempo de reflexão, amadurecimento, enfim... Voltar para casa não é nenhum regresso, do contrário, voltei muito diferente de quando eu sai. Com novos valores e com outros olhares sobre os personagens que fazem parte desta instituição chamada família. Aliás, quantas transformações aconteceram na minha família...
Este ano que termina me proporcionou uma experiência inesquecível: a de trabalhar como mediador na 8ª Bienal do Mercosul. Tem como esquecer a família Geo 4 até o chão? Impossível...
Foram quase três meses de convivência com uma galera do bem, artistas, histórias, enfim. Uma amizade construída e para sempre eternizada, como já escrevi em outro post...
Como numa partida de futebol, aos 45 minutos do segundo tempo eu encontro o sorriso mais lindo das minhas tardes... Uma pessoa incrível e que vem mudando meu modo de ser e agir, que vem me provando que amar é possível sim, é só deixar acontecer...
Enfim, 2011 foi um ano muito bom. Estou com saúde e as pessoas que me cercam também estão e isso é o que importa...
2011 foi assim: perdi pessoas que eu achava que não viveria sem, e ganhei pessoas que eu nunca imaginei que entrariam em minha vida.
Ri até chorar, e chorei como se não fosse mais rir.
Amei e desamei.
... ... ... Fui decepcionado, mas também decepcionei.
Sonhei alto, cai muito, machuquei e me levantei.
Senti saudade, morri de saudade, mas também deixei saudade.
Disse coisas que não deveriam ser ditas. Me calei quando mais deveria ter falado.
Chorei. Ah, como eu chorei! Mas também fiz pessoas chorarem.
Briguei, brinquei e me arrependi.
Guardei coisas bobas e deixei coisas importantes passar.
Algumas vezes fui feliz, outras vezes triste.
Me arrependi de coisas que disse, e disse coisas da qual não me arrependo.
Xinguei, gritei e perdoei.
Errei querendo acertar, e acertei quando achei que tinha errado.
Acreditei no “Para sempre”, “Eu te amo” e “Conte comigo”, e também fiz pessoas acreditarem.
Prometi coisas que não cumpri, e cumpri coisas que nem ao menos prometi.
Perdi e ganhei. Sorri e chorei.
Me ergui e desabei.
Cresci e amadureci.
E então volto a perguntar:
“E ai, 2011 valeu a pena?
VALEU...E MUITO!!!
E que tenhamos um 2012 muito melhor...
Meus agradecimentos a todos vocês que fizeram (e fazem) parte da minha vida, que leram as minhas postagens, que compartilharam de alguns dos meus sentimentos, que se identificaram com algumas coisas, que riram do que escrevi, enfim...Muito, muito obrigado, mesmo!
Forte abraço,
Peter.
domingo, 25 de dezembro de 2011
Natal, etc... E tal.
Mais um Natal está terminando... E a cada ano que passa, percebo o quão diferente esta data vem ficando, não só na minha família, mas em todas as famílias, de modo geral.
Antigamente, o natal era comemorado visando a reunião das famílias, o bem estar de todos que se reuniam em torno da mesa para celebrar o nascimento do Menino Jesus. Era uma noite especial, onde os presentes eram trocados de forma simbólica. A ideia central era reunir a família, esperar a meia-noite, dar um fraterno abraço nos parentes queridos, cear e assistir a Missa do Galo com o Papa João Paulo II.
Hoje e cada vez mais eu vejo que as coisas não são bem assim...
Tudo hoje gira em torno do dinheiro, do consumismo exagerado, do ter, etc...
Isso sem falar nas falsidades do Feliz Natal, dos falsos abraços e dos falsos desejos de felicidades, etc...
E assim eu fico pensando: como será esta festa daqui a alguns anos?
O verdadeiro espírito do Natal vem se perdendo e isso é muito triste. Cada vez mais as pessoas esquecem o verdadeiro sentido, salvo as crianças – algumas – que ainda acreditam no bom velhinho, acreditam que ele é quem traz os presentes e desce pela chaminé das casas. As que têm chaminé, claro.
Particularmente eu fico ainda mais sensível no Natal. Uma pela falta que ainda sinto do meu pai e que me faz ficar um tanto quanto melancólico, reservado, enfim. Há cinco anos o meu natal já não tem tanta graça. Ok são coisas da vida, etc., mas ainda é recente e nestas datas de final de ano isso ainda mexe muito comigo.
Outra, porque vejo em algumas pessoas exatamente tudo o que listei acima e por mais que eu queira, não consigo agir de forma diferente. Não sei ser igual a todo mundo, ou seja, falar mal o ano inteiro – ou em alguns casos, sequer falar – para chegar no dia do Natal, fingir que não houve nada e dar aquele abraço. Não. Prefiro mil vezes um silêncio sincero a palavras falsas, que eu sei e sinto que não são verdadeiras...
De qualquer forma, é uma época de renovação, de repensar certos valores, de ver quem de fato está ao seu lado e quem são as pessoas que de fato você pode contar.
Tenho me surpreendido a cada ano, percebendo quem de fato está comigo e quem são as pessoas que felizmente eu posso contar, tirando a minha família, é claro (e até mesmo na família já não são tantos assim... Diria que bem menos do que eu achava.).
Felizmente, posso dizer que as pessoas que tenho ao meu lado, são pessoas maravilhosas, especiais e que sem elas, a vida seria monótona.
As outras pessoas, bem, as outras pessoas são só as outras pessoas...
A pensar que ainda tem o Ano Novo e que muito do que acontece na noite de natal vai se repetir...
Mas isso é para outro capítulo...
De qualquer forma, um Feliz Natal à todos e obrigado por de vez em quando passarem por aqui e compartilharem – ou não – das coisas que escrevo!
Abraços,
Peter.
Antigamente, o natal era comemorado visando a reunião das famílias, o bem estar de todos que se reuniam em torno da mesa para celebrar o nascimento do Menino Jesus. Era uma noite especial, onde os presentes eram trocados de forma simbólica. A ideia central era reunir a família, esperar a meia-noite, dar um fraterno abraço nos parentes queridos, cear e assistir a Missa do Galo com o Papa João Paulo II.
Hoje e cada vez mais eu vejo que as coisas não são bem assim...
Tudo hoje gira em torno do dinheiro, do consumismo exagerado, do ter, etc...
Isso sem falar nas falsidades do Feliz Natal, dos falsos abraços e dos falsos desejos de felicidades, etc...
E assim eu fico pensando: como será esta festa daqui a alguns anos?
O verdadeiro espírito do Natal vem se perdendo e isso é muito triste. Cada vez mais as pessoas esquecem o verdadeiro sentido, salvo as crianças – algumas – que ainda acreditam no bom velhinho, acreditam que ele é quem traz os presentes e desce pela chaminé das casas. As que têm chaminé, claro.
Particularmente eu fico ainda mais sensível no Natal. Uma pela falta que ainda sinto do meu pai e que me faz ficar um tanto quanto melancólico, reservado, enfim. Há cinco anos o meu natal já não tem tanta graça. Ok são coisas da vida, etc., mas ainda é recente e nestas datas de final de ano isso ainda mexe muito comigo.
Outra, porque vejo em algumas pessoas exatamente tudo o que listei acima e por mais que eu queira, não consigo agir de forma diferente. Não sei ser igual a todo mundo, ou seja, falar mal o ano inteiro – ou em alguns casos, sequer falar – para chegar no dia do Natal, fingir que não houve nada e dar aquele abraço. Não. Prefiro mil vezes um silêncio sincero a palavras falsas, que eu sei e sinto que não são verdadeiras...
De qualquer forma, é uma época de renovação, de repensar certos valores, de ver quem de fato está ao seu lado e quem são as pessoas que de fato você pode contar.
Tenho me surpreendido a cada ano, percebendo quem de fato está comigo e quem são as pessoas que felizmente eu posso contar, tirando a minha família, é claro (e até mesmo na família já não são tantos assim... Diria que bem menos do que eu achava.).
Felizmente, posso dizer que as pessoas que tenho ao meu lado, são pessoas maravilhosas, especiais e que sem elas, a vida seria monótona.
As outras pessoas, bem, as outras pessoas são só as outras pessoas...
A pensar que ainda tem o Ano Novo e que muito do que acontece na noite de natal vai se repetir...
Mas isso é para outro capítulo...
De qualquer forma, um Feliz Natal à todos e obrigado por de vez em quando passarem por aqui e compartilharem – ou não – das coisas que escrevo!
Abraços,
Peter.
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