quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O Reencontro (ou o mundo dá voltas)

Mais uma noite na vida do nosso amigo...
Mais uma noite de intensas divagações sobre a vida, trabalho, futuro, família, relacionamentos... Como um lobo solitário em noite de lua cheia ele se vê debruçado na janela, com seu velho e inseparável whisky a contar estrelas, a contar os dias que se passam, porém, o que não passa é a sua vontade louca de fazer e acontecer...
Dia desses, caminhando pela Rua da Praia, eis que reencontra uma antiga namorada... Há tempos não a via, aliás, achava que nunca mais a reencontraria, afinal, foram longos anos sem saber noticias, sem receber um telefonema, etc...
O fim deste namoro foi algo que mexeu, tanto com ele, quanto com ela...
E foi um reencontro no mínimo interessante, onde olhares novamente se cruzaram, em meio á tantas perguntas sobre a vida, etc...
Saiu daquele encontro com a certeza de que tinha vivido um relacionamento bacana, apesar das consequências que o termino trouxe para ambos...
A vida é engraçada, não?
Ela torna a colocar as pessoas no caminho uma das outras, mesmo após anos de distancia... Seria isso um sinal?
Naquele dia, voltou para casa um tanto quanto reflexivo, pra não dizer mexido mesmo... Seria uma recaída?
Nosso amigo sempre foi um cara avesso á relacionamentos.
Não queria compromisso. Achava que o amor entre um homem e uma mulher só poderia se manifestar entre mãe e filho. Maluco isso, né? Mas era assim que ele via este relacionamento.
Talvez por isso, raríssimas foram as vezes que alguém o viu com namoradas, etc... Mas, apesar das poucas namoradas, todos sabiam o quanto intenso ele era... Sempre foi um cara que surpreendia suas namoradas. Romântico. Zeloso. Atencioso. Intenso.
Vivia intensamente seus namoros como se eles fossem acabar na manha seguinte. Fazia de tudo para com aquela que estivesse ao seu lado.
-Grude! Alguns diziam.
-Romântico. Era assim que se auto descrevia.
O romantismo de hoje em dia é bem diferente daquele que aprendera. Não tinha a velocidade das mensagens sms que tem hoje, ou a velocidade e o efeito de um post no facebook, como hoje se vê...
Ele sempre foi simples: gostava de mandar rosas, chocolates, bilhetinhos...
O pedido de namoro aconteceu assim: enviou rosas e um dos botões era falso: dentro havia um anel de compromisso – isso existe hoje? –
-Quer namorar comigo?
Já o pedido de noivado, ele copiou de um filme: levou-a para jantar... Pediu ao garçom que trouxesse “aquela” Champagne... Nas taças prontamente servidas pelo garçom, estavam as alianças de noivado...
Choro... Riso... Felicidade...
E olha que o noivado durou muito tempo. Tempo suficiente para que ele se perdesse em seus sentimentos e decidisse a não seguir em frente...
Sabia que o casamento era algo muito forte... Um passo decisivo na vida de duas pessoas extremamente iguais, mas diferentes em tantas outras coisas...
- Até mesmo as metades da laranja são diferentes – pensava.
Convicto das suas crenças sobre a vida, pôs fim a uma história que mais parecia um conto de fadas.
Admirada por todos... Invejada por muitos... Absurda para alguns...
Mas foi feliz... Viveu cada instante... Mesmo que tenha sofrido após o “cair da ficha”...
As famílias nunca entenderam... Sua noiva, tão pouco...
Um filme passou na sua cabeça naquele dia... Este reencontro mexeu de verdade com ele... Mesmo sabendo que hoje não existira a menor possibilidade de uma volta ou coisa parecida... (e acho que isso não seria o caso).
Mas a vida é engraçada.
Surge com cada peça... Como se nos incentivasse a montar este grande quebra-cabeça, onde as peças vão se encaixando com o passar dos tempos, onde vamos buscar estas peças nos lugares mais impensáveis ou ainda, as peças aparecem diante dos nossos olhos assim, meio que do nada, querendo talvez nos ensinar algo... Mas, como sempre nos achamos o senhor da razão, nos achamos no direito de ignorar o fato e escrever a história que queremos ou que pelo menos gostaríamos que fosse escrita...
Ah se fosse assim...
Seria tudo mais fácil, mais simples...
Hoje ele segue em sua busca... Assim como faz com as estrelas que vê no céu, ele tenta encontrar a pessoa que possa nortear sua vida e lhe ensinar o caminho para tão sonhada felicidade, afinal, é o que todos buscam, não?
E como dizia Chaplin:
“O tempo é o melhor autor; sempre encontra um final perfeito”.

Continua...

Um comentário:

Rafael Kenai disse...

Nossa meu, muito bom o texto. Mais uma vez me ví em alguns fatos descritos.

Fiquei pensando agora. Será que sou um cara careta? Me vejo como um cara romântico ainda, mesmo que seja um romântico contemporâneo - que utiliza facebook, sms, msn. Mas creio que apenas o fato de ser romântico já me torna careta, afinal não existem muitos exemplares no mercado atual.
Sera? Sera?