segunda-feira, 28 de julho de 2008

Bertold Brecht

Pois bem, no mês de Junho dei um passo muito importante na minha vida: cursar uma Faculdade!
Eu, que estava cursando Letras mas estava com a matrícula trancada desde (ah, vamos deixar isso de lado...), pensei em dar uma guinada e fazer um curso que estivesse mais de acordo com a minha realidade.
Assim como descobrí a minha vocação para trabalhar como Guia de Turismo, defitivamente, encontrei no curso de História o mundo maravilhoso que me espera!!!
É, estou cursando História e confesso, apesar do curso ter iniciado há pouco mais de um mês, estou completamente apaixonado...E como já venho dizendo isso há muitos anos, não há nada melhor e mais gratificante do que trabalhar no que gosta e estudar o que gosta... É a perfeição! E é o princípio de tudo: estar apaixonado pelo que faz, seja o que for!
Então, para brindar este primeiro mês no mundo da História, deixo este texto do magnífico, do gênio Bertold Brecht.

Aos Que Vierem Depois de Nós
(Tradução de Manuel Bandeira)

Realmente, vivemos muito sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.

Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?

É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
[(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: "Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!"

Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.

Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.


Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.

Íamos, com efeito,
mudando mais freqüentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.

E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós
com indulgência.



Bertolt Brecht nasceu em Augsburg, Alemanha, em 1898. Em 1917 inicia o curso de medicina em Munique, mas logo é convocado pelo exército, indo trabalhar como enfermeiro em um hospital militar. Aquele que iria se tornar uma das mais importantes figuras do teatro do século XX, começa a escrever seus primeiros poemas e cedo se rebela contra os "falsos padrões" da arte e da vida burguesa, corroídas pela Primeira Guerra. Tal atitude se reflete já na sua primeira peça, o drama expressionista "Baal", de 1918. Colabora com os diretores Max Reinhardt e Erwin Piscator. Recebe, no fim dos anos 20, instruções marxistas do filósofo Karl Korsch. Em 1928, faz com Kurt Weill a "Ópera dos Três Vinténs". Com a ascensão de Hitler, deixa o país em 1933, e exila-se em países como a Dinamarca e Estados Unidos da América, onde sobrevive à custa de trabalhos para Hollywood. Faz da crítica ao nazismo e à guerra tema de obras como "Mãe coragem e seus filhos" (1939). Vítima da patrulha macartista, parte em 1947 para a Suíça — onde redige o "Pequeno Organon", suma de sua teoria teatral. Volta à Alemanha em 1948, onde funda, no ano seguinte, a companhia Berliner Ensemble. Morre em Berlim, em 1956.

O poema acima foi extraído do caderno "Mais!", jornal Folha de São Paulo - São Paulo (SP), edição de 07/07/2002, tendo sido traduzido pelo grande poeta brasileiro Manuel Bandeira.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

(Re) Descobrindo Gravataí - Museu Municipal Agostinho Martha

Dando continuidade á série "(Re) Descobrindo Gravataí", hoje eu apresento o Museu Municipal Agostinho Martha...

Abraços,

O Museu Municipal Agostinho Martha foi criado pela Lei Complementar Municipal nº. 1217 de 30 de julho de 1974, durante a administração do Prefeito Dorival Cândido Luz de Oliveira, acolhendo o projeto do então vereador Danilo Pellizzoni, sendo aprovado pela Câmara Municipal.
Primeiramente foi implantado e organizado pelo pesquisador gravataiense Jorge Rosa, na gestão do Prefeito Ely Corrêa, através do Decreto Municipal nº.1167 de 10 de julho de 1981. Este mesmo decreto também designou o nome de Agostinho Martha, em homenagem á um conhecido professor, historiador e pesquisador também gravataiense.
Bom, o Museu foi inaugurado extra oficialmente na rua Dr. Luis Bastos do Prado e, posteriormente, foi adquirido pelo Município um sobrado em estilo colonial português, construído por volta de 1870 que, segundo consta, teria sido uma residência particular e, posteriormente, a antiga sede de uma atafona (onde era produzida e vendida a farinha, parte da economia do município durante o período colonial). Á partir de 1985, serviu de sede para a memória do município,mas, devido a um incêndio ocorrido em 1997, teve parte de sua estrutura destruída pelas chamas, tendo que deixar as instalações.
O acervo conta a história colonial do Vale do Gravataí, destacando-se a moenda da cana, o tear manual, bem como todo o complexo artesanal da tecelagem, móveis da região dos Açores, em Portugal, e o arquivo histórico municipal.

O Museu foi reaberto em Julho de 2009!
Segundo a Coordenadora do Arquivo Histórico do Museu, Maria Inês, "hoje está sendo desenvolvido um projeto chamado de Circuito Cultural, onde realizamos um passeio pelos pontos históricos de Gravataí, contando como chegaram os Açorianos na cidade, em 1772, e os alemães, em 1824. Os visitantes são convidados a conhecer os prédios mais antigos da cidade, bem como a sua representação para a história e economia do Municipio". Inês ressalta ainda que está sendo organizado o Arquivo histórico e que eles estão recebendo muitos estudantes e universitários que vem até o Museu em busca de informações sobre o municipio.
Vale lembrar que o Museu voltou a seu prédio na rua Nossa Senhora dos Anjos, 547, atrás do colégio Dom Feliciano
O horário de funcionamento é de terça a sexta feira das 9h as 17h e sábados das 9h as 13h, sem fechar ao meio dia, sem taxa de ingresso. .

Qualquer dúvida, entrar em contato pelo fone 3484.2733 até as 18h.